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Desenvolvimento da China: uma armadilha para o mundo! 19 19UTC agosto 19UTC 2011

Posted by blogadrianofaria in Uncategorized.
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Desde 2008, quando explodiu a crise nos Estados Unidos, o mundo vem sofrendo alterações significativas. Voltando no tempo 30 anos, a China vem alterando sua politica econômica e sua relação com o ocidente. Com uma população de quase 25% da população mundial e com sua abertura para o capitalismo, tornou-se a “fabrica do mundo”. Deste então os países passaram a terceirizar sua produção, para fugir das legislações trabalhistas, fruto de décadas de evolução da democracia e da luta de classes. Os países passaram a explorar a mão de obra barata da China, multiplicando os lucros das empresas e dos importadores.
Por sua vez, a China vem se posicionando de forma estratégica no novo cenário politico e econômico mundial, vem se desenvolvendo economicamente, modernizando seus meios de produção e, com 5% do PIB mundial, já é a segunda economia do planeta. Com as maiores potências, exerce um poder de monopólio no fornecimento de seus próprios produtos. Trocando em miúdos, impor qualquer barreira ao produto chinês é impor barreira principalmente às empresas norte americanas e europeias que lá se instalaram, A China detém quase 3 trilhões de títulos da dívida dos Estados Unidos e com isso exerce uma forte influência nas decisões econômicas mundiais. Já com os países emergentes e em desenvolvimento, exerce o poder de maior comprador de commodities. A China é hoje, por exemplo, a maior compradora de minério de ferro, e produtos alimentícios brasileiros, na África é a maior compradora de Petróleo, exercendo assim um poder de determinar preços.
A atual crise que os países mais ricos do mundo enfrentam, em decorrência do endividamento causado para salvar suas economias em 2008, traz consigo fatores mais importantes que os econômicos. Precisamos nos ater ao novo contexto político que atravessaremos. O exagero da confiança nos mercados por parte dos norte americanos – e a eventual crise desencadeada por esse comportamento – coloca em dúvida o modelo capitalista americano ancorado em bases como a mínima participação estatal nos rumos da economia, livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização, entre outros lemas ditos neoliberais.
Na Europa o problema se intensifica ainda mais. A União Europeia e a criação do Euro são, na história da humanidade, as maiores iniciativas de internacionalização das economias e de fortalecimento de blocos econômicos. A atual crise de endividamento dos países europeus também coloca em xeque este modelo e faz com que cada nação jogue nas outras a culpa de seus problemas econômicos e sociais. Um eventual fracasso do Euro e da estabilidade política da união Europeia jogará por terra várias décadas de desenvolvimento econômico e democrático das relações internacionais dos países democráticos.
Diante deste cenário, surgem cada vez mais defensores do modelo chinês, que sem perceber defendem um modelo onde nove expoentes do partido comunista controlam os 25% da população e 5% do PIB mundial. É um país onde 25% dos miliários são do partido comunista e onde a desigualdade social cresce a cada dia. Alimentar nas pessoas o desejo de ter um país como a China é concordar com a ditadura, pois lá não existe eleição, liberdade de imprensa e debate sobre questões nacionais. É aceitar a exploração dos trabalhadores e a exclusão dos camponeses, é pactuar com o desrespeito ao desenvolvimento sustentável, pois utilizam meios arcaicos de obtenção de energia, dentre vários outros fatores.
Não podemos esquecer que o Brasil já viveu o seu “milagre econômico” durante o Regime Militar. Portanto, é inegável que um governo totalitário pode ser mais eficiente. É como, por exemplo, escrever um livro com dois ou cinquenta escritores. Com dois escritores você trabalhará com maior eficiência e com certeza terá um resultado melhor comparado aos cinquenta que precisaram se organizar, fazer vários debates, negociar página por página, até chegar em fim a um resultado final. Porém o que se quer uma nação? Escutar ou ser escutada? Quando um jovem abandona o conforto do lar dos seus pais para construir sua própria família ele não está pensando na comodidade ou nos prejuízos financeiros, ele se apega ao sentimento de liberdade e de autonomia, é assim que se constrói uma sociedade democrática.
Defender o crescimento à custa da liberdade é desrespeitar a história do nosso país e das pessoas que perderam a vida ou parte dela na luta pela democracia.

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